Professores?! Quantos-quer?

Já sabe quantos professores foram colocados, quantos ficaram de fora e quantas disciplinas estão a ser severamente prejudicadas com a falta de valorização da carreira docente? As respostas, como de costume, já de seguida!

Quantos professores já foram colocados?

Já foram colocados quase 13 mil professores para o próximo ano letivo de 2022/2023, dos quais cerca de 7.000 correspondem a novos docentes, segundo anúncio do Ministro da Educação, João Costa.

Por outras palavras, 97,7% dos horários pedidos nesta fase (13.101 horários) têm professor atribuído. E até aqui parece tudo muito animador, mas só até nos interrogarmos sobre…

Quantos professores estão por colocar?

Nesta fase, dos horários completos de 22 horas que ficaram por preencher, o Ministro da Educação disse que 80% (a esmagadora maioria!) são do mesmo grupo de recrutamento. Qual grupo de recrutamento? Informática! Quais as zonas do país com maior falta de professores de informática? Área Metropolitana de Lisboa, Alentejo e Algarve.

Porque é que a disciplina de informática tem 80% das vagas por preencher?

Porque a profissão de professor de informática tem sido desvalorizada e por isso, vista pelos jovens como uma saída pouco atraente e pouco compensadora em termos financeiros, já que trabalhar numa empresa traz mais vantagens económicas no imediato e mais possibilidades de progressão na carreira, no futuro, se comparada com o ensino público.

Porque faltam professores?

Porque a nossa classe docente está envelhecida, reformada ou com um pé na aposentação, e porque há pouca procura por parte dos jovens.
Tudo indica que só este ano, mais de 2.800 professores foram ou serão aposentados e que na próxima década, Portugal irá perder 40% dos professores.
Ora, previsões tão assustadoras levaram o Ministério da Educação a pensar em medidas para tentar travar o problema. E se as pensou, melhor as fez!

Qual a solução dada pelo Ministério da Educação?

O despacho ainda está a ser ultimado, mas tudo indica que vão ser alteradas as habilitações exigidas para a docência. O que é que isso significa? Só vamos ter professores mestres e doutorados? Não, é praticamente o contrário… O Governo numa espécie de personalização do provérbio que diz que “quem não tem cão, caça com gato” está a considerar uma alteração ao despacho de habilitações para a docência (ainda durante o primeiro período do ano letivo de 2022/2023). O que vai permitir? Alargar o leque de candidatos à docência com inclusão de professores não licenciados no sistema de ensino, desde que apresentem formação suficiente para lecionarem a disciplina em causa.

O Ministério da Educação vai também alargar o leque de licenciaturas aceites para o ensino da informática (e de outras disciplinas) ainda durante o primeiro período deste próximo ano. Até lá, só professores com habilitações profissionais com muita experiência, professores profissionalizados (com mestrado de via ensino) e docentes com habilitação própria (licenciados e mestres com cursos de via científica pré-Bolonha) podem dar aulas.

Qual a opinião dos sindicatos de professores?

Unanime! Os sindicatos de professores receiam que estas medidas em vez de se traduzirem num maior número de candidatos, se traduzam num maior número de professores sem qualificação que, em última análise, descurarão a qualidade do ensino em Portugal.

Mas não são só os sindicatos que receiam voltar ao sistema do século passado, muitos professores e diretores de escolas públicas e privadas, estão em desacordo com o regresso à habilitação mínima porque entendem que é de professores qualificados e experientes que os alunos mais precisam.

A valorização da profissão é a primeira reivindicação dos sindicatos e por isso este “fechar de olhos” do Ministro da Educação não responde de todo aos pedidos dos professores, que querem aumentos salariais, o fim da limitação por número de vagas à progressão na carreira, a recuperação do tempo de serviço, entre outras alterações ao regime de recrutamento e mobilidade, como é o caso do subsídio de residência para professores que ficam colocados longe de casa.

O que defende este vosso amigo?

Como CEO de uma agência de Marketing Digital, defendo o ensino de qualidade que dê aos alunos todas as ferramentas para singrarem no mercado de trabalho. E como professor de informática, garanto que a um bom informático não falta trabalho… bem remunerado! E se não o encontrar em Portugal, encontra-o no estrangeiro e sem ter de sair na Europa, já que há seis países em que a média dos salários (dos mais baixos aos mais elevados) é de 5.000€ por mês: Islândia, Luxemburgo, Suíça, Liechtenstein, Holanda e Dinamarca. Portanto, se é para melhorar a qualidade de vida e conhecer novas gentes, novas culturas e processos de trabalhos mais inovadores, não há mal algum em ir trabalhar para fora de Portugal. Agora se os nossos jovens forem “empurrados” para o estrangeiro por falta de medidas do governo para segurar ativos, o caso muda de figura! Em ambas as hipóteses, quem fica por cá? Os profissionais menos competentes, nomeadamente aqueles que resolverem insistir em trabalhar na área de informática, aproveitar as benesses do ministério e lecionar alunos de todos os ciclos de ensino, pondo em causa os “sonhos” dos estudantes que querem trabalhar na área de informática ou que um dia gostavam de abrir a sua própria empresa em Portugal.

De resto e em jeito de conclusão, o cenário dos últimos anos já estava na red line, com a maioria dos professores a concorrer a um horário, apenas com habilitação mínima (e não a formação necessária) para lecionar a disciplina de TIC, as disciplinas opcionais de Informática do ensino regular, as disciplinas CEF do ensino básico e as disciplinas dos diversos cursos profissionais de informática.

Artigo publicado no Jornal Sul Informação

https://www.sulinformacao.pt/2022/08/professores-quantos-quer/

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Sobre Luís Horta

Luis é o fundador e CEO da Webfarus. É professor no Ensino Público Português há mais de 25 anos. Ajudou a criar e a desenvolver mais de 700 negócios em diferentes áreas, ao longo da sua carreira.

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